Cinco aldeias da Terra Indígena Haliti-Paresi, em Mato Grosso, estão recebendo capacitação para desenvolver experiências de turismo de base comunitária de forma sustentável, valorizando a cultura local e gerando renda para suas comunidades.
O projeto teve início no último dia 16 de junho, na Aldeia Katyalarekwa, e prevê a formação de cerca de 50 lideranças indígenas ao longo de dez semanas de capacitação. As aldeias participantes, Katyalarekwa, Serra Dourada, Oreke, Arara Azul e Duas Cachoeira, fazem parte do projeto coletivo denominado Menanehaliti, que na língua Aruak representa um conceito de continuidade, permanência e fortalecimento das tradições.

Formação para fortalecer cultura e economia local
O objetivo central é estruturar o turismo nas aldeias de forma planejada, respeitosa e alinhada aos princípios de sustentabilidade e regeneração. Além das oficinas teóricas, o programa prevê acompanhamento prático até fevereiro de 2025, auxiliando as comunidades na aplicação dos conhecimentos adquiridos.
Para o cacique Salomão Nezokemazokai, da aldeia Oreke, o turismo nas terras indígenas é uma ferramenta essencial para a preservação cultural e ambiental. “Nosso objetivo é criar experiências que sejam benéficas tanto para os visitantes quanto para nós, garantindo que as atividades turísticas sejam feitas de forma responsável e respeitosa”, ressalta.
O projeto expande a atuação dos povos Haliti-Paresi no turismo sustentável, uma jornada iniciada há alguns anos com apoio de iniciativas públicas e do setor privado. Para o turismólogo Wilson Pereira, da Secretaria de Cultura e Turismo de Tangará da Serra, o impacto vai muito além da geração de renda.
“As capacitações garantem o conhecimento técnico necessário para oferecer experiências autênticas e valorizam a cultura ancestral, ao mesmo tempo em que promovem a conservação dos recursos naturais e o fortalecimento do protagonismo indígena”, afirma.
Uma metodologia consolidada
A metodologia aplicada é da Universidade Vivalá de Negócios, desenvolvida e aplicada há mais de dez anos pela Vivalá, que atua em comunidades tradicionais de todo o país. O modelo já formou mais de 700 empreendedores comunitários, com mais de 10 mil horas de aplicação prática.
Os conteúdos abordam temas como gestão, marketing, finanças, sustentabilidade e hospitalidade. Ao final, as comunidades estarão aptas a oferecer hospedagem, alimentação, guiamento, passeios e oficinas culturais, conduzidas integralmente pelos próprios moradores.
Perspectiva de expansão
Ainda em 2024, estão previstas cinco expedições comerciais para o destino em Tangará da Serra, com previsão de crescimento para até o dobro em 2026. Em todas as viagens, os turistas serão acompanhados não apenas pelos guias da operadora, mas, principalmente, pelos próprios indígenas, que conduzirão toda a experiência.

Investimento social e ambiental
Para o Instituto Bancorbrás, que financia o projeto, investir em turismo regenerativo é uma estratégia alinhada à geração de impacto social duradouro.
“Unimos a valorização do conhecimento ancestral à nossa expertise em negócios, construindo uma cadeia de turismo mais responsável, que fortalece as comunidades e a cultura indígena”, afirma Claudio Roberto, diretor geral do Grupo Bancorbrás.
O projeto se soma às ações já desenvolvidas pelo Instituto Samaúma em outras comunidades tradicionais, como os povos Yanomami (AM), Shanenawa (AC), Kariri Xocó (AL) e Guarani (SP), ampliando a rede de turismo sustentável no Brasil.