ONG lança campanha internacional para alertar sobre riscos reais à infância na internet
Perfis falsos, chantagens, jogos manipulativos e abordagens disfarçadas de amizade compõem o cenário de risco cada vez mais presente na vida de crianças e adolescentes no ambiente digital. Para alertar e proteger esse público, a ONG ChildFund Brasil acaba de lançar a campanha “Os Monstros na Internet São Reais”, com ações simultâneas em seis países da América Latina: Brasil, México, Guatemala, Honduras, Equador e Bolívia.
A campanha, inspirada em relatos reais de jovens atendidos pela organização, reúne vídeos, conteúdos educativos e materiais gratuitos para conscientizar famílias, educadores e a sociedade sobre ameaças como aliciamento on-line, exploração sexual, cyberbullying e manipulações virtuais.
Os dados são alarmantes. Segundo o relatório internacional ChildLight 2024, cerca de 302 milhões de crianças e adolescentes foram vítimas de exposição indevida de imagens ou abordagens sexuais não consentidas no último ano — média de 10 incidentes por segundo no mundo. No Brasil, mais da metade dos adolescentes já sofreu algum tipo de violência sexual na internet, de acordo com estudo inédito da própria ONG.

“Pandemia invisível”
“O ambiente digital é hoje um dos mais perigosos para crianças quando não há supervisão”, alerta Cristina Barrera, diretora regional do ChildFund nas Américas. “A campanha mostra que os ‘monstros’ da internet não são imaginários. Eles existem, são reais e usam recursos sofisticados para se aproximar das vítimas.”
O estudo Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, conduzido pela ONG, ouviu mais de 8 mil jovens de 13 a 18 anos. O levantamento revela que 54% dos adolescentes brasileiros já enfrentaram alguma forma de violência sexual on-line. A maior exposição acontece entre os jovens de 17 a 18 anos, que passam em média quatro horas por dia conectados, sobretudo pelo celular, fora do ambiente escolar.
Além da denúncia, a campanha oferece ferramentas práticas: vídeos de conscientização, orientações para pais e cuidadores, e recursos de prevenção. O conteúdo está disponível no site www.monstrosnainternetsaoreais.com, criado especialmente para a ação.
A cultura digital e os riscos velados
A pesquisa mostrou ainda que 79% dos hobbies citados por adolescentes brasileiros envolvem o uso da internet — como jogos e redes sociais —, o que amplia a exposição a abordagens perigosas, muitas vezes disfarçadas de diversão ou afeto. A própria construção da campanha usou uma metáfora visual para representar esses perigos: os “monstros”, personagens que encarnam perfis predatórios ocultos em telas e avatares.
Para o diretor do ChildFund Brasil, Mauricio Cunha, é urgente romper o silêncio em torno da violência digital e mobilizar a sociedade. “Queremos promover um senso coletivo de responsabilidade. A internet precisa ser um espaço seguro, e isso exige atenção ativa de pais, escolas, empresas, plataformas e autoridades.”
A ONG convida instituições públicas, privadas e da sociedade civil a se unirem à causa. Além de compartilhar a campanha, é possível implementar os materiais nas escolas e espaços comunitários, além de estimular o diálogo sobre segurança digital nas famílias.