O LUPPA (Laboratório de Políticas Públicas Alimentares Urbanas) foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) como uma das iniciativas com impacto sistêmico na transformação dos sistemas alimentares. O programa brasileiro integra a publicação internacional recém-lançada “Transforming Food and Agriculture through a Systems Approach” (Transformando Alimentos e Agricultura por meio de uma Abordagem de Sistemas), que reúne experiências inovadoras de diversos países.
O relatório da FAO destaca o LUPPA como exemplo de abordagem sistêmica e colaborativa para o desenvolvimento de políticas alimentares urbanas no Brasil. Criado em 2021 pelo Instituto Comida do Amanhã, em correalização com o ICLEI Brasil, o LUPPA atua como uma plataforma contínua de aprendizagem entre cidades e gestores públicos, apoiando a criação de políticas de segurança alimentar e nutricional integradas e de longo prazo. Até 2024, a iniciativa já envolveu 59 cidades brasileiras.
Enquanto o SOFI mostra o retrato da insegurança alimentar, o relatório lançado dias antes apresenta caminhos possíveis para superá-la – e o LUPPA está entre esses caminhos”, afirma Juliana Tângari, diretora do Instituto Comida do Amanhã e coordenadora geral do LUPPA.
Reconhecimento internacional
A publicação da FAO antecedeu o lançamento do relatório Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo (SOFI) 2025, divulgado no último dia 28 de julho, durante a Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares (UNFSS+4), em Adis Abeba, Etiópia. Enquanto o SOFI revela os dados atualizados da fome no mundo, o relatório com as experiências inspiradoras mostra soluções possíveis e efetivas para reverter esse cenário.
Voltado a formuladores de políticas e profissionais de sistemas agroalimentares, o relatório destaca o LUPPA como um exemplo de mudança estratégica, ao promover a transição de uma aprendizagem isolada para uma aprendizagem coletiva entre cidades. A metodologia inclui ferramentas como o LUPPA LAB (encontro presencial), mentorias especializadas e matrizes de diagnóstico, que ajudam os municípios a identificar gargalos e a implementar estratégias alimentares estruturadas.
Além do LUPPA, o Brasil aparece na publicação com o SISAN (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), citado como referência em governança sistêmica para políticas públicas de alimentação.
Brasil fora do Mapa da Fome
Outro destaque do SOFI 2025 é o fato de o Brasil ter deixado o Mapa da Fome da ONU, ao apresentar menos de 2,5% da população em estado de insegurança alimentar grave. Segundo dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), até o fim de 2023, cerca de 24 milhões de pessoas deixaram de enfrentar fome severa no país.
A conquista é atribuída a políticas públicas que priorizaram a redução da pobreza, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação do acesso a alimentos saudáveis e o investimento em programas estruturados de segurança alimentar, como os desenvolvidos pelo LUPPA.
Em 2023, o LUPPA já havia sido citado no próprio SOFI como referência internacional, classificado como um food lab com impacto direto na transformação dos sistemas alimentares urbanos.
A publicação completa da FAO pode ser acessada neste link: https://openknowledge.fao.org/items/d0095c37-b7d1-42a9-9bfc-97fee514337e