Seminário em Aracruz destaca urgência de políticas para inclusão de indígenas com deficiência
A Aldeia Pau Brasil, em Aracruz, recebeu no dia 10 de setembro o seminário “Direito, inclusão e visibilidade: reflexões e trocas de saberes para o Bem Viver das pessoas indígenas com deficiência”, promovido pela Federação das Apaes do Espírito Santo (Feapaes-ES) e pela Apae Aracruz. O encontro reuniu cerca de 200 pessoas, entre lideranças indígenas, especialistas e representantes de órgãos públicos, em um debate inédito no Estado sobre a urgência de políticas públicas voltadas às pessoas indígenas com deficiência.
A iniciativa deu visibilidade a um cenário preocupante. De acordo com o Censo IBGE 2022, 11,4% da população indígena capixaba apresenta algum tipo de deficiência, quase o dobro da média geral, de 7,3%. A experiência da Apae Aracruz, que atualmente atende 55 usuários indígenas, serviu como referência para os debates.
“O tema ganha força com os números e é uma pauta urgente e mundial. Precisamos enfrentar essa desigualdade, dar luz a esses dados e voz aos povos originários, por isso, promovemos esse seminário, reunindo sociedade, representantes dos poderes públicos, estudiosos e os povos que vivem nas aldeias de Aracruz”, afirmou Vanderson Gaburo, diretor social da Feapaes-ES, que recentemente representou o Brasil na COSP18, na ONU, em Nova York, discutindo o mesmo tema em âmbito internacional.
A programação contou com palestras e painéis que abordaram desafios e horizontes da inclusão. Um dos destaques foi a fala de Suelem Martine Rodrigues, da etnia Guarani, que representou as famílias atendidas pela Apae.
“Eu vou participar contando a experiência da minha família que representa a de muitas em nossas aldeias. O meu irmão Marco Arthur foi diagnosticado com autismo aos oito anos e, a partir do atendimento na Apae, a nossa vida mudou. A Apae nos orienta e nos conduz sobre os nossos direitos e, mais do que isso, nos apoia emocionalmente para o dia a dia”, relatou.

