Com a chegada das festas de fim de ano, cresce também o volume de compras para presentes e confraternizações. Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito aponta que 33,8 milhões de consumidores pretendem usar metade do décimo-terceiro salário para gastos típicos do período. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de repensar hábitos e adotar práticas mais sustentáveis.
Para Edson Grandisoli, embaixador e coordenador pedagógico do Movimento Circular, mestre em Ecologia e doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo, o aumento do consumo pode ser ressignificado a partir de escolhas mais conscientes.
“Os períodos de festas e de férias naturalmente apresentam um aumento no consumo. Presentear as pessoas de que você gosta e convive faz parte dos rituais nessa época do ano. Entretanto, o Natal também é uma época de reflexões. E por que não aproveitar esse momento para refletirmos sobre nosso consumo e seus impactos? Falar para as pessoas não consumirem parece, às vezes, um pouco radical, mas acredito que o momento seja propício para exercitar um consumo mais consciente, ou menor”, afirma.
A proposta passa por avaliar a quantidade de presentes, evitar excessos na ceia e reduzir o uso de embalagens descartáveis. Segundo Edson, alternativas como experiências culturais podem substituir objetos físicos.
“Presentes podem ser experiências, como ingressos de teatro ou visitas a exposições”, exemplifica.
O conceito de economia circular também envolve analisar cada decisão de consumo sob a ótica da geração de resíduos.
“É importante ‘sair do automático’ e analisar cada escolha que fazemos do ponto de vista, por exemplo, da geração de resíduos. Será que realmente precisamos gerar uma pilha de papéis de presente (geralmente não recicláveis) ao final da festa? A circularidade não passa somente pela redução da quantidade de resíduos e pela reciclagem, mas também pela escolha de fabricantes verdadeiramente engajados com a economia circular, pela seleção de produtos mais socioambientalmente amigáveis, pela valorização de produtos gerados localmente e, por fim, pela gestão responsável dos resíduos que geramos”, destaca.
Além do impacto ambiental direto, o consumo elevado também contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. “Quanto maior o consumo, maior tende a ser a geração de resíduos e, com isso, também colaboramos com as mudanças climáticas”, reforça.
Na avaliação do especialista, pequenas mudanças individuais podem gerar efeitos coletivos relevantes.
“Um ponto fundamental é as pessoas entenderem que todas as escolhas individuais são importantes, pois, de alguma forma, afetam o coletivo. Buscar informações, buscar dicas e se inspirar em boas práticas de pessoas próximas são ótimas maneiras de fazer diferente e melhor”, conclui.