Projeto social revela talentos e garante aprovações de destaque em Música na UFMG

Duas adolescentes atendidas por um projeto social de formação musical conquistaram posições de destaque no vestibular de Música 2026 da Universidade Federal de Minas Gerais, evidenciando o impacto da educação cultural na trajetória de jovens em situação de vulnerabilidade.

A violoncelista Eduarda Luiza Pereira, de 18 anos, alcançou o primeiro lugar no bacharelado em Música com habilitação em violoncelo na universidade federal e também obteve a maior nota no mesmo curso na Universidade do Estado de Minas Gerais. Já Beatriz Gonçalves Monteiro, de 17 anos, conquistou a terceira colocação no curso livre de Música da UFMG logo em sua primeira tentativa.

Moradora de Belo Horizonte, Eduarda teve seu primeiro contato com a música em 2019, por meio da flauta doce. No ano seguinte, ingressou na Orquestra Jovem das Gerais, onde descobriu o violoncelo e decidiu seguir carreira. Em março, ela inicia as aulas na universidade.

“Quando vi meu nome na lista de classificados do vestibular, a ficha demorou a cair. Esse resultado representa muito empenho, dedicação e perseverança. Já pensei várias vezes em desistir, mas sempre tive o apoio da minha família adotiva”, conta Eduarda. Segundo ela, a experiência na orquestra ensinou valores como cooperação, respeito, humildade e gratidão.

Beatriz, que vive em Contagem desde a infância, começou a estudar música aos oito anos, após ganhar um violino. Integrante da orquestra há nove anos, ela destaca que o projeto foi determinante não apenas para sua formação artística, mas também pessoal.

“Tive professores incríveis, que me ensinaram a trabalhar em equipe, a entender o próximo e a reconhecer o quanto um projeto social pode mudar uma vida.”

A aprovação surpreendeu a jovem.

“Foi a realização de um sonho. A preparação é difícil e exige renúncias, mas meu professor, Thiago Rieverte, que dá aulas na orquestra, me ajudou muito nesse período, em todos os passos. Quando vemos o resultado, tudo vale a pena”, celebra.

O projeto é viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com patrocínio do Instituto Marina e Flávio Guimarães, braço social do Grupo Bmg. Atualmente, cerca de 500 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade participam das atividades.

Fundada em 1997 pelos músicos Renato Almeida e Rosiane Reis, a Orquestra Jovem das Gerais oferece oficinas de instrumentos de cordas, sopro e percussão. Com sede em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a iniciativa já beneficiou mais de 1,6 mil jovens, promovendo não apenas aprendizado técnico, mas também valores como disciplina, responsabilidade e trabalho coletivo.

Para o maestro e coordenador geral Renato Almeida, as aprovações confirmam a consistência do trabalho desenvolvido ao longo de décadas. “Ver essas adolescentes aprovadas em vestibulares de Música mostra que estamos no caminho certo e o apoio de patrocinadores como o Instituto Marina e Flávio Guimarães é fundamental para que possamos oferecer ensino de qualidade e estrutura adequada.”

A diretora do instituto, Rosana Aguiar, ressalta que os resultados demonstram o poder transformador da cultura.

“Essas aprovações representam não apenas talento e dedicação individuais, mas também a força transformadora da educação e da cultura quando recebem apoio consistente”, afirma.

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