Agricultora Tupiniquim transforma criação de abelhas em fonte de renda e autonomia

Neste Dia Internacional da Mulher, destacamos a trajetória de Ana Paula Moraes Soares, indígena do povo Tupiniquim, de Aracruz, no Espírito Santo. Aos 38 anos, ela encontrou na meliponicultura, a criação de abelhas nativas sem ferrão, uma forma de garantir sustento para a família e conquistar independência financeira.

Mãe de três filhas, de 22 anos, 19 anos e uma recém-nascida de dois meses, Ana Paula construiu na agricultura e na produção de mel mais do que uma atividade econômica. O trabalho se tornou também um símbolo de autonomia e realização pessoal. Atualmente, ela atua como agricultora e preside a Cooperativa de Agricultores Indígenas Tupiniquim e Guarani de Aracruz (Coopyguá), conciliando a rotina da maternidade com a liderança na comunidade.

A história de vida começou em um contexto de muitas dificuldades, lembranças que ela prefere resumir de forma breve. “Muito difícil… tive muitas dificuldades”, conta. Ainda assim, foi justamente essa realidade que contribuiu para moldar sua determinação. “A minha infância fez com que eu me transformasse na mulher que sou hoje. Vim de um passado muito difícil, conturbado e me tornar independente e capaz é algo que me enche de orgulho com certeza”, afirma Ana Paula.

Durante muitos anos, ela trabalhou ajudando no sustento da família, sem imaginar que um dia assumiria completamente essa responsabilidade. A mudança aconteceu após o divórcio, quando passou a ser a principal provedora do lar. Entre os obstáculos enfrentados estava a falta de experiência para ingressar no mercado de trabalho formal.

A virada começou com a participação em um projeto apoiado pela Suzano, companhia reconhecida mundialmente pela produção de celulose e pelo desenvolvimento de bioprodutos a partir do eucalipto. A iniciativa oferece capacitação e apoio para geração de renda nas comunidades. “Tive apoio em um projeto de meliponicultura, Rede Sementes e hoje sou presidente da cooperativa. Foi o que começou a trazer luz para mim”, revela.

O envolvimento com a criação de abelhas nativas trouxe resultados que ultrapassam o aspecto financeiro. Para Ana Paula, a atividade também teve impacto no bem-estar emocional e na organização da rotina. “Esse projeto ajuda muito na renda familiar, mas para mim o resgate das abelhas nativas ajudou muito no lado psicológico também, pois é uma rotina que ajuda no meu dia a dia até hoje, fez eu ter uma ocupação quando mais precisei e eu amo trabalhar com elas”, relata.

Conciliar o trabalho com a maternidade continua sendo um desafio, especialmente com uma filha recém-nascida. Mesmo assim, ela segue determinada a manter o equilíbrio entre as duas responsabilidades. “Hoje tenho um pouco de dificuldade, mas aos poucos a rotina volta ao normal. Consigo conciliar as duas coisas, sabendo principalmente que de mim dependem minhas filhas”, afirma.

Ser uma mulher indígena responsável pelo sustento da família tem um significado especial para ela. “Me sinto orgulhosa e completa sendo a referência das minhas filhas e de outras pessoas em minha comunidade”, diz.

Segundo Rafaela Cavalcanti, consultora de Relacionamento Social da Suzano, projetos de geração de renda buscam ampliar oportunidades e fortalecer a autonomia nas comunidades atendidas pela empresa. “A gente acredita e conhece o potencial das mulheres, sabemos o impacto que a geração de renda pode trazer para uma família e para uma aldeia indígena como a da Ana ou uma comunidade quilombola, por exemplo. Na Suzano, acreditamos que gerar e compartilhar valor, além de apoiar pessoas e projetos sociais em todas as frentes, faz a diferença. Histórias como a da Ana Paula mostram como o acesso à capacitação e o apoio adequado podem abrir novos caminhos para uma vida mais facilitada e satisfatória”, destaca.

 

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