A Apae Serra chega aos 45 anos de atuação consolidando uma trajetória marcada por acolhimento, inclusão e defesa de direitos. Fundada a partir da mobilização de famílias que buscavam atendimento para pessoas com deficiência no município, a instituição cresceu ao longo das décadas e hoje se tornou referência no Espírito Santo, com atuação nas áreas de educação, saúde e assistência social.
À frente desse trabalho está a presidente Elzimar Maria Pereira de Souza, que acompanha de perto os avanços e desafios da entidade. Nesta entrevista, ela relembra os primeiros anos da Apae Serra, fala sobre a evolução dos serviços, o impacto na vida das famílias atendidas e reforça o compromisso da instituição com a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Como surgiu a Apae Serra e qual era o objetivo inicial da instituição?
A Apae Serra foi fundada em 30 de abril de 1981 a partir da mobilização de pais de pessoas com deficiência que não tinham acesso a atendimento no município. Com apoio do poder público, a instituição começou em uma casa simples, com poucos profissionais, focada principalmente na educação.
Como foi o início da estrutura e dos atendimentos?
Nos primeiros anos, tudo era muito precário. As salas foram sendo construídas aos poucos, com doações, e havia poucos recursos pedagógicos e profissionais. As famílias tinham baixa renda e, muitas vezes, não conseguiam levar os filhos até a instituição, o que levou à criação de um transporte com apoio do município.
Quais foram os principais desafios enfrentados nesse início?
Além da falta de estrutura, havia dificuldade com alimentação, materiais e equipe. As refeições vinham de doações e os profissionais eram, em grande parte, temporários. Aos poucos, com apoio de instituições como a LBA, foi possível ampliar o atendimento e contratar especialistas.
Como a Apae Serra evoluiu ao longo dos anos?
Foi um processo de muita luta. Hoje, a instituição atende cerca de 1.380 usuários e conta com mais de 100 colaboradores. De um espaço fechado e com poucos recursos, passou a ser uma referência no município, com ampla visibilidade e atuação.
Qual é o principal propósito da Apae Serra atualmente?
A missão é promover e articular ações que garantam direitos, inclusão e qualidade de vida para pessoas com deficiência intelectual, múltipla e autistas, especialmente em situação de vulnerabilidade, além de apoiar suas famílias.
Quais serviços a instituição oferece hoje?
A Apae Serra atua nas áreas de educação, saúde, assistência social, esporte e inclusão. Os serviços são contínuos e voltados ao desenvolvimento da autonomia, independência e potencial das pessoas atendidas.
Como mudou a forma como a sociedade enxerga as pessoas com deficiência?
Houve uma transformação importante. Antes, predominava uma visão assistencialista. Hoje, o foco é na autonomia e na capacidade dessas pessoas. A instituição trabalha para mostrar que elas podem se desenvolver, trabalhar, se relacionar e ter independência.
A inserção no mercado de trabalho é uma realidade para os atendidos?
Sim. Muitos usuários foram encaminhados para o mercado de trabalho, especialmente após a Lei de Cotas. Hoje, empresas procuram a Apae para contratar, reconhecendo o potencial e os resultados positivos desses profissionais.
Que impactos essa inclusão no trabalho gera na vida dessas pessoas?
A inserção no mercado traz autonomia, autoestima e transformação de vida. Muitos construíram famílias, desenvolveram independência e mantêm vínculo com a instituição até hoje.
Como funciona o atendimento às novas famílias?
O serviço social é a porta de entrada. As famílias passam por acolhimento e avaliação de uma equipe multidisciplinar. O acesso é regulado por vagas, e atualmente há uma lista de espera significativa.

Qual é a demanda atual por atendimento?
Hoje, a instituição conta com uma lista de espera de cerca de 1.600 pessoas, o que mostra a grande demanda pelos serviços oferecidos.
Qual mensagem a Apae Serra deixa ao completar 45 anos?
A instituição celebra uma trajetória marcada por inclusão, amor e defesa de direitos. O compromisso é continuar ampliando a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com deficiência, contando com o apoio da sociedade para seguir construindo um futuro mais inclusivo.