Como o Sicredi une impacto social e eficiência econômica no cooperativismo

Quando o assunto é impacto social aliado à sustentabilidade financeira, o Sicredi, se destaca em como integrar o social ao core business

Quando o assunto é impacto social aliado à sustentabilidade financeira, o Sicredi, banco com sistema de crédito cooperativo, se destaca como um dos principais exemplos de como integrar o social ao core business.

Fabricio Cambruzzi, diretor executivo da regional serrana (RS/ES) do banco, compartilhou, em uma entrevista exclusiva com o UmSocial, como a cooperativa alia propósito social e eficiência econômica, impulsionando o desenvolvimento comunitário de forma significativa.

O DNA social no negócio

Uma das chaves para o modelo do Sicredi é a inserção do impacto social no cerne de suas operações. Segundo Cambruzzi, “o desafio é quando você tenta trabalhar o seu core business numa perspectiva e a sua participação social em outra perspectiva. Quando você consegue integrar estas coisas, aí fica bacana”.

Esse posicionamento se reflete em taxas competitivas oferecidas pela cooperativa, que frequentemente estão abaixo da média de mercado. Essa estratégia não apenas beneficia diretamente os associados, mas também promove ajustes nas tarifas de outros bancos na região, gerando um impacto social indireto relevante.

Resultados que transformam

Os números impressionam: apenas com a atuação do Fundo Social, o Sicredi supera, em impacto financeiro, grandes iniciativas como o Criança Esperança.

Cambruzzi também destacou a agilidade da cooperativa em responder às necessidades das comunidades. Um exemplo foi a enchente na Serra Gaúcha, onde o Sicredi mobilizou rapidamente R$ 11 milhões em doações diretas, além de R$ 600 milhões em recursos para subsidiar seguros e linhas de crédito especiais.

Além disso, programas como “União Faz a Vida”, “Cooperativa Escolar” e “Cooperação na Ponta do Lápis” chegam a milhares de pessoas, promovendo educação e desenvolvimento em várias frentes. Entenda cada um:

– A União Faz a Vida: principal programa de educação do Sicredi, com metodologia baseada em projetos que desenvolve valores de cooperação e cidadania para crianças e jovens.

Mais de 4,2 milhões de crianças e adolescentes de 14 estados já passaram pelo programa e 230 mil educadores já foram habilitados.

– Cooperativas escolares: programa que oferece aprendizado de crianças e jovens e desenvolve competências como liderança, empreendedorismo social, educação financeira e inclusão social.

– Cooperação na Ponta do Lápis: Programa que leva educação financeira para as regiões em que estamos presentes, com conteúdos e ações para diferentes públicos (associados, colaboradores, crianças e adolescentes). Programa já impactou mais de 46 mil estudantes;

– Fundo Social: apoia projetos sociais de interesse coletivo voltados para educação, cultura, esporte, meio ambiente, segurança, inclusão social, entre outros. Em 2023 foram investidos mais de R$ 63 milhões, em 7.359 projetos.

– Movimento de voluntariado: Fomenta, inspira, mobiliza e impulsiona o engajamento das comunidades em prol de ações de voluntariado, reforçando nossa essência cooperativista e nosso propósito.

Em 2023, foram realizadas 3.700 ações nas cooperativas, com mais de 61 mil voluntários da cooperativa.

O Capitalismo Consciente na prática

O Sicredi também exemplifica o que é chamado de capitalismo consciente, apoiado em quatro pilares: propósito claro, lideranças conscientes, cultura organizacional e integração de stakeholders.

“Nosso propósito é construir juntos uma sociedade mais próspera. As decisões sempre partem desse foco”, destacou Cambruzzi.

Um exemplo concreto é o envolvimento com projetos sociais locais, como o “Cariacica Down”, que promove a inclusão e a transparência financeira, atraindo diversos parceiros e empresas com propósitos semelhantes. Essa sinergia amplia o alcance e a eficiência dos programas.

Círculo virtuoso: um modelo sustentável

O modelo do Sicredi funciona em um “círculo virtuoso”, composto por quatro etapas: conhecer os associados, oferecer bons negócios, gerar resultados admiráveis e investir na comunidade.

“Quanto mais giramos este círculo, maior é o impacto social”, explicou Cambruzzi. Essa abordagem permite que a cooperativa mantenha sua sustentabilidade financeira enquanto promove transformações sociais significativas.

Cooperativismo como agente de mudança

Com mais de 120 anos de história, o Sicredi carrega em seu DNA o espírito cooperativo de seu fundador, Theodor Amstad. A frase emblemática do padre suíço, “Se todos se unirem, conseguem remover a pedra do caminho”, continua a guiar a missão de construir uma sociedade mais próspera por meio da união e do comprometimento.

O desafio agora é expandir o alcance do cooperativismo no Brasil, mostrando à sociedade que a escolha de produtos financeiros pode ser também uma forma de gerar impacto positivo. Como destacou Cambruzzi, “quando a comunidade prospera, não há como a cooperativa não prosperar junto”.

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