Maio Laranja: campanha celebra 25 anos de luta contra o abuso sexual infantil no Brasil
25 anos do 18 de Maio: mobilização nacional reforça a luta contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil
No dia 18 de maio, é celebrada uma data que carrega dor, resistência e esperança: o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Neste ano de 2025, essa mobilização completa 25 anos de luta pela proteção da infância e da adolescência no País.
A data foi instituída em memória de Araceli Cabrera Crespo, uma menina capixaba de apenas oito anos, vítima de violência sexual e assassinada em 1973. O caso chocou o país e deu origem a uma das mais importantes campanhas de enfrentamento à violência infantojuvenil no Brasil: o Maio Laranja, iniciativa focada em dar visibilidade ao tema e convocar toda a sociedade à ação.
“Temos o sonho de que esta data esteja na memória de cada brasileiro, não somente em 2025, mas todos os anos”, afirma a campanha. Mais do que lembrar, a proposta é provocar: discutir, informar, educar. Afinal, para combater qualquer problema, é preciso conhecê-lo.
De acordo com os levantamentos apontados pela campanha, os dados são assustadores. A cada hora, três crianças são abusadas no Brasil. Cerca de 51% das vítimas têm entre 1 e 5 anos de idade — ou seja, são bebês e crianças em fase pré-escolar.
Estima-se que 500 mil crianças e adolescentes sejam explorados sexualmente todos os anos no país. E o mais grave: apenas 7,5% dos casos são denunciados às autoridades, o que indica que os números reais são ainda mais expressivos.
O que está por trás da violência sexual?
A violência sexual contra crianças e adolescentes envolve relações de poder, e muitas vezes se expressa em contextos marcados por vulnerabilidades sociais. Fatores como gênero, raça, classe social, localização geográfica e orientação sexual influenciam na forma como essas violências ocorrem e se perpetuam.
“Trata-se da ‘coisificação’ das infâncias”, explica a campanha. “Crianças e adolescentes deixam de ser vistas como sujeitos de direitos e passam a ser tratadas como objetos de satisfação ou lucro.”
Segundo a Lei 13.431/17, que estabelece diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência, a violência sexual se divide em duas categorias:
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Abuso sexual: qualquer ação que utiliza a criança ou o adolescente para fins sexuais, com ou sem contato físico, realizada presencialmente ou por meios eletrônicos.
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Exploração sexual: uso de crianças e adolescentes em atividades sexuais em troca de dinheiro, presentes ou qualquer forma de compensação — prática muitas vezes associada a redes de exploração.
Compromisso coletivo
O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes orienta ações em todo o país com foco em prevenção, proteção e responsabilização. Ainda assim, o desafio é enorme — e exige o envolvimento de todos os setores da sociedade. “A luta é de todos nós. São as nossas crianças. É o nosso futuro.”
Neste 18 de maio, o convite é claro: falar sobre o tema, compartilhar informações e denunciar suspeitas. Violência sexual contra crianças e adolescentes é crime. E o silêncio é cúmplice.
Como denunciar
Se você suspeita ou tem conhecimento de um caso de abuso ou exploração sexual, disque 100 ou procure o Conselho Tutelar mais próximo. A denúncia é anônima e pode salvar uma vida.