Estudo revela práticas ancestrais quilombolas como eixo central para a justiça climática

Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Sumaúma foi apresentada durante a COP30, em Belém, e traz à tona o papel das práticas culturais quilombolas na construção de soluções para a crise climática. O estudo reúne dados produzidos ao longo de diálogos com lideranças de diversas regiões do país e mapeia saberes tradicionais que orientam formas de cuidado com o território, comunicação comunitária e adaptação ambiental.

Intitulada “Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade: entre as agendas de justiça climática e as práticas culturais e comunicacionais”, a pesquisa destaca como esses conhecimentos são fundamentais no enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas, apesar de historicamente ignorados nas decisões globais.

Para Taís Oliveira, diretora do Instituto Sumaúma, lançar o estudo na COP30 representa uma ação estratégica. “A conta simplesmente não fecha. As comunidades que mais sofrem com os impactos das mudanças climáticas são justamente as que detêm saberes ancestrais e tecnologias sociais para adaptações, mas suas soluções são invisibilizadas. Com esses dados, nossa proposta é pautar diretamente a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para justiça climática, e fortalecer o ecossistema de suporte destas comunidades”, afirma.

A pesquisa também evidencia como mitos e percepções distorcidas sobre a vida nos quilombos prejudicam seu reconhecimento como atores centrais do debate ambiental. Juliane Sousa, quilombola, jornalista e consultora convidada do estudo, reforça a importância de ampliar esse entendimento. “Ainda existe uma imagem equivocada e até estereotipada de que os quilombolas vivem isolados, e essa não é a realidade. Assim como outras populações, nós também temos acesso à internet, frequentamos faculdade e levamos uma vida como qualquer outra. A diferença está na nossa relação com a natureza, que vem de nossas heranças ancestrais e se baseia no cuidado com todas as formas de vida. Para nós, nada disso é novo, é só a maneira como vivemos”, comenta.

Com a iniciativa, o Instituto Sumaúma busca consolidar um banco de dados que dê visibilidade às tecnologias culturais quilombolas e contribua para a formulação de políticas públicas mais justas, sustentáveis e alinhadas aos conhecimentos que emergem dos territórios.

 

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