O Instituto Nacional de Câncer (INCA) deu início à programação do Novembro Negro 2025, com o tema “Respeito, Ancestralidade e Identidade: Pelo Fim do Racismo Religioso na Saúde”. A cerimônia marcou o começo das ações que serão realizadas ao longo do mês por instituições federais de saúde no Rio de Janeiro, com foco na prevenção e no enfrentamento da discriminação no Sistema Único de Saúde (SUS).
A campanha deste ano está alinhada ao Plano de Ação da Estratégia Antirracista e ao Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e às Discriminações no Trabalho na Saúde, reafirmando o compromisso do Ministério da Saúde e de suas entidades vinculadas com uma rede pública plural, inclusiva e antirracista.
Durante o evento de lançamento, realizado recentemente, foram apresentados dados do Dossiê Crimes Raciais 2020, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP). O levantamento mostra que mais de 70 pessoas são vítimas de discriminação racial por mês no estado. Do total, 58,2% das vítimas são mulheres e 42,9% não conheciam seus agressores. Quase metade dos casos ocorre em espaços públicos, com a Zona Oeste registrando o maior número de ocorrências.
Os números reforçam que o racismo, inclusive o religioso, continua sendo um desafio estrutural e institucional que exige respostas permanentes e integradas das políticas públicas e dos sistemas de controle do Estado.
O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, destacou que o conceito de saúde precisa considerar a espiritualidade como parte essencial do cuidado.
“Falar de saúde é falar de corpo, mente e espiritualidade. É reconhecer que o cuidado não cabe em um único molde, que nossas crenças, saberes e tradições também são fontes de cura e resistência. Saúde sem racismo religioso é um chamado à empatia, à escuta e à reparação. É garantir que cada pessoa seja acolhida com respeito, seja qual for a sua fé ou forma de viver a espiritualidade”, afirmou.
A superintendente do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Cida Diogo, elogiou as equipes envolvidas na construção do Novembro Negro e ressaltou a importância da união e da memória histórica na luta por igualdade racial e liberdade religiosa.
“Essa iniciativa é resultado de coragem e disposição para mexer com corações e mentes sobre uma questão que é tão cara para o nosso povo. Que as atividades do Novembro Negro nos inspirem a continuar lutando por políticas que garantam cidadania e direitos à população negra, em especial o direito à liberdade religiosa”, declarou.
A programação segue durante todo o mês com debates, rodas de conversa, apresentações culturais e ações educativas voltadas à valorização da ancestralidade e ao combate a todas as formas de discriminação no âmbito da saúde pública.