Projetos sociais ampliam acesso à formação tecnológica para jovens e ajudam a preparar novas profissionais
O avanço da conectividade nas escolas públicas brasileiras tem contribuído para aproximar estudantes do universo digital. Dados do Indicador Escolas Conectadas (INEC) mostram que 72% das instituições de educação básica do país já contam com acesso gratuito à internet, resultado da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, coordenada pelos ministérios da Educação e das Comunicações.
Mesmo com os avanços na infraestrutura, organizações da sociedade civil seguem desempenhando um papel relevante na formação tecnológica de crianças e adolescentes. Entre elas está a Afesu, entidade que atua na capacitação de meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade social e oferece cursos voltados ao desenvolvimento de competências digitais e profissionais.
De acordo com a diretora executiva da instituição, Sonia de Almeida, o trabalho busca preencher lacunas que ainda existem no acesso à tecnologia e à formação prática.
“Mais do que colaborar com o ciclo de aprendizagem do ensino básico, entendemos a demanda do mercado. Recebemos jovens que muitas vezes não tiveram qualquer contato com tecnologia, por isso assumimos o papel de garantir que todas tenham o apoio necessário para evoluírem e conquistarem uma oportunidade de trabalho no futuro”, afirma.
Os dados mais recentes do Censo Escolar mostram que o acesso à internet nas escolas públicas segue em expansão. Em São Paulo, por exemplo, 98,5% das instituições de ensino infantil, fundamental e médio já estão conectadas, percentual superior à média nacional, que alcançou 93,1%.
Especialistas destacam, porém, que a conectividade sozinha não garante a aprendizagem digital. Para que o uso da tecnologia seja efetivo, é necessário contar com equipamentos adequados e ambientes preparados para as atividades educacionais.
Na Afesu, as alunas têm acesso a laboratórios equipados com notebooks, computadores, projetores e outros recursos tecnológicos utilizados durante as aulas. A estrutura foi planejada para atender turmas com mais de 20 participantes.
“A disponibilização de dispositivos é o meio para que o aprendizado seja efetivo. Na Afesu oferecemos às beneficiárias todo o equipamento: notebooks, projetor datashow, computadores e seus periféricos. Destinamos salas específicas para a realização das aulas, capazes de comportar mais de 20 beneficiárias por turma”, complementa Sonia.
Voltados para meninas entre 14 e 17 anos, os cursos têm como objetivo desenvolver habilidades técnicas, fortalecer a autoconfiança e estimular a formação de lideranças femininas. A proposta é ampliar as oportunidades de inserção profissional em áreas que apresentam crescente demanda por mão de obra qualificada.
Atualmente, mais de mil meninas e mulheres são beneficiadas anualmente pelos programas da organização. Ao longo de mais de 60 anos de atuação, a Afesu já impactou mais de 60 mil pessoas, entre alunas, familiares, voluntários e integrantes das comunidades atendidas pelas unidades Afesu Moinho, Afesu Morro Velho e Afesu Veleiros, localizadas na capital paulista.
As inscrições para os cursos do segundo semestre de 2026 já estão abertas. Entre as formações oferecidas estão Tecnologia Básica, Novas Tecnologias, Gestão de Tecnologia Aplicada, Tecnologia Básica com Energias Renováveis e Desenvolvimento Web. Todos os cursos são gratuitos, presenciais e realizados em parceria com o SENAI, com certificação ao final da formação de acordo com a carga horária concluída.
As vagas podem ser solicitadas presencialmente nas unidades da instituição ou por meio dos canais de atendimento disponibilizados pela organização.