Edital Mulheres em Movimento: veja quanto 3 grupos do ES vão receber de apoio
A iniciativa é realizada em parceria entre o ELAS+ e a ONU Mulheres. Ao todo, foram selecionadas 62 organizações de todas as regiões do Brasil
O Edital Mulheres em Movimento 2024 – por Democracia, Justiça de Gênero e Climática, selecionou três grupos liderados por mulheres do Espírito Santo: a Associação de Mulheres Jongueiras Quilombolas de São Cristóvão, o ooletivo de Mulheres Raízes do Sapê e o coletivo Kunhã gue Ka’agwy Porã.
Cada um irá receber até R$ 50 mil de apoio flexível para o fortalecimento institucional. Somado, o valor entregue aos três grupos capixabas chega a R$ 150 mil.
Entre os selecionados, estão que atuam em diferentes frentes em defesa dos direitos das mulheres, incluindo proporcionar maior visibilidade aos saberes ancestrais, luta pela permanência em territórios quilombolas do Sapê do Norte e fortalecimento mútuo das mulheres da aldeia Ka’agwy Porã.
A iniciativa é realizada em parceria entre o ELAS+ Doar para Transformar e a ONU Mulheres. Ao todo, foram selecionadas 62 organizações de todas as regiões do Brasil. Veja a lista completa aqui.
Esta é a oitava edição do programa, que chega ao montante de R$ 3 milhões para distribuir entre grupos, com ou sem registro formal (CNPJ), que atuam na defesa de questões como luta antirracista, direitos LBTIs, direito à moradia e à saúde, direito à cidade, moda justa e sustentável, direitos trabalhistas, justiça climática e ambiental e a defesa da democracia.
O edital tem apoio de Channel Foundation, Equality Fund, Fondation Chanel e Levi Strauss Foundation. Das quase 2 mil organizações lideradas por mulheres cis, trans e outras transidentidades inscritas no edital, foram selecionadas 16 da região Sudeste do país, sendo três do Espírito Santo.
No processo de seleção dos grupos, foi levada em consideração a relevância estratégica de cada um para as comunidades, em sua área de atuação e no universo do movimento social.
Localizada na cidade São Mateus, a Associação de Mulheres Jongueiras Quilombolas de São Cristóvão atua em prol da visibilidade dos saberes ancestrais produzidos pelas mulheres quilombolas para defesa de seus territórios e suas comunidades.
A organização promove a preservação da memória e cultura do povo negro brasileiro por meio da manifestação cultural do jongo.
Já o Coletivo de Mulheres Raízes do Sapê, da cidade Conceição da Barra, tem como objetivo principal o fortalecimento da luta e permanência das mulheres e seus filhos no território das 32 comunidades quilombolas do Sapê do Norte.
A organização atua na reafirmação da identidade e valorização étnico-racial dessas comunidades a partir da defesa dos territórios e da cultura ancestral. Isso se dá através de ações de educação, agricultura agroecológica, produção de remédios tradicionais, defesa do meio ambiente e dos direitos sociais da população quilombola.
Também busca assegurar a implementação de políticas públicas, programas e projetos sociais específicos para essas populações..
De Aracruz, o coletivo Kunhã gue Ka’agwy Porã promove o cultivo dos saberes tradicionais e a formação de um Núcleo de Audiovisual de Mulheres Guarani Mbya e Tupiniquim (vizinhas da aldeia), a fim de consolidar uma rede de comunicadoras e cineastas indígenas.
O grupo foi criado para o fortalecimento mútuo das mulheres da aldeia Ka’agwy Porã através de técnicas de autocuidado e cuidado das pessoas, em especial as crianças da comunidade.
“O Edital Mulheres em Movimento 2024 – por Democracia, Justiça de Gênero e Climática, mais uma vez, coloca em prática o que o ELAS+ acredita. As mulheres, em toda sua diversidade, conhecem suas realidades, seus territórios, seus desafios, e têm para isso soluções sociais e ambientais. O que elas precisam é de apoio para colocar em prática ou continuar fazendo o que já fazem. A riqueza das propostas recebidas de todas as regiões do Brasil é emocionante!”, diz Savana Brito, diretora executiva do ELAS+.
Ao longo de seus quase 25 anos, o ELAS+ já apoiou mais de 1,2 mil grupos e organizações. Lançado em 2017, o Mulheres em Movimento é o maior programa do fundo e trabalha com recursos direcionados a iniciativas e soluções sociais desenvolvidas e lideradas por mulheres.
As atividades propostas no Edital iniciaram em agosto com uma reunião virtual de boas-vindas e apresentação do programa.
Os grupos serão acompanhados pelo ELAS+, com encontros virtuais e presenciais, como o Diálogo Mulheres em Movimento, que reúne os grupos financiados para que tenham a oportunidade de construir conjuntamente, entre os diversos segmentos, análises de conjuntura, estratégias coletivas e alianças que impulsionam o seu desenvolvimento. A ação está prevista para maio de 2025.
Sobre o ELAS+
O ELAS+ Doar para Transformar foi o primeiro fundo a investir exclusivamente na promoção do protagonismo das mulheres, pessoas trans, não binárias. Reconhece toda a multiplicidade e singularidade desse universo.
A organização é um fundo de justiça social e ambiental, feminista e antirracista, que há 24 anos investe no fortalecimento de organizações e grupos liderados por mulheres cis, trans e outras transidentidades.
Apoia organizações que movem e sustentam a economia e as relações sociais nas suas localidades, promovem impacto social positivo em comunidades, cidades, estados, apoiando a transformação coletiva da sociedade.
Mobiliza recursos no Brasil e no exterior, com empresas, governos, fundações, organismos internacionais e pessoas físicas para aplicá-los no fortalecimento de organizações, com ou sem CNPJ. A atuação se dá no ecossistema de filantropia para justiça social e tem o tamanho do Brasil, já que apoia organizações nas cinco regiões do país.