Iniciativa selecionará projetos liderados por mulheres negras, indígenas e quilombolas no Nordeste
Organizações e coletivos liderados por mulheres negras, indígenas e quilombolas de Pernambuco e do Rio Grande do Norte já podem se inscrever no Impactô Malunga, programa voltado ao fortalecimento institucional e ao desenvolvimento de iniciativas com atuação social nos territórios onde estão inseridas. As inscrições seguem abertas até o dia 25 de junho e vão selecionar 15 projetos para uma jornada que inclui formação, mentorias especializadas, construção de redes e apoio financeiro.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Agbara e o Instituto Neoenergia, instituições que atuam na promoção da justiça social, racial e no incentivo ao desenvolvimento sustentável. O programa foi estruturado a partir do reconhecimento do papel estratégico desempenhado por mulheres negras, indígenas e quilombolas na criação de soluções para desafios relacionados à geração de renda, fortalecimento comunitário, preservação cultural e garantia de direitos.
A escolha dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte também leva em consideração dados do Diagnóstico acerca de Filantropia e Raça no Brasil, elaborado pelo Núcleo de Pesquisa e Memória da Mulher Negra (NUPEMN), do Agbara. O levantamento aponta que quase metade das organizações negras brasileiras está concentrada na região Nordeste, evidenciando a relevância do território para ações de fortalecimento institucional.
Das 15 iniciativas selecionadas, nove serão de Pernambuco e seis do Rio Grande do Norte. Durante o programa, as participantes terão acesso a conteúdos voltados à gestão organizacional, planejamento estratégico, comunicação, mobilização de recursos, governança e sustentabilidade institucional.
A proposta busca atender organizações que enfrentam desafios históricos para acessar financiamento, capacitação e oportunidades de desenvolvimento. Além das barreiras estruturais relacionadas ao racismo e às desigualdades de gênero e território, muitas dessas lideranças encontram dificuldades para ampliar o alcance de seus projetos e consolidar suas ações.
Um dos diferenciais do Impactô Malunga é a possibilidade de participação de grupos não formalizados juridicamente, ampliando o acesso de iniciativas comunitárias que exercem papel relevante na promoção de direitos e na transformação social, mas que frequentemente ficam fora dos mecanismos tradicionais de investimento social.
“A parceria entre o Fundo Agbara e o Instituto Neoenergia demonstra a potência da construção coletiva. Ao reunir diferentes expertises, redes e experiências, conseguimos desenvolver uma iniciativa mais robusta, conectada às realidades locais e comprometida com o fortalecimento de organizações que já fazem a diferença em suas comunidades”, Aline Odara, fundadora e diretora executiva do Agbara.
Além da formação técnica e das mentorias, o programa também incorpora práticas de Bem Viver e momentos de troca entre lideranças de diferentes regiões, estimulando a criação de redes colaborativas e o compartilhamento de experiências.
Para Renata Chagas, diretora-presidente do Instituto Neoenergia, investir no fortalecimento dessas lideranças é uma forma de ampliar o impacto social nos territórios. “A parceria entre Instituto Neoenergia e Agbara no Impactô Malunga reforça um princípio central: a transformação social começa pelas mulheres. Mesmo em contextos diversos, lideranças femininas negras, indígenas e quilombolas orientam escolhas, cuidam e mobilizam suas comunidades. Ao somar forças, potencializamos ações que colocam mulheres e territórios vulnerabilizados no centro das soluções. É assim que acreditamos que podemos contribuir para a ampliação do impacto social positivo em escala e com raízes profundas”, destaca Renata Chagas, diretora-presidente do Instituto Neoenergia.
A expectativa é que, ao final da jornada, as organizações participantes estejam mais preparadas para ampliar seu alcance, fortalecer sua autonomia e acessar novas oportunidades de desenvolvimento e financiamento.
Além das ações em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, o programa também contará com uma frente voltada para organizações da Bahia, do Distrito Federal e do interior de São Paulo. Nesses locais, serão promovidos encontros presenciais e atividades formativas por meio do Circuito DI (Desenvolvimento Institucional nos Territórios). As orientações para participação nessa etapa serão divulgadas posteriormente pelas instituições responsáveis.