Projetos desenvolvidos pela Aliança Empreendedora estão transformando a realidade de mulheres em São Luís ao unir gastronomia, identidade cultural e geração de renda. As iniciativas, realizadas em parceria com instituições públicas e privadas, fortalecem microempreendedoras em situação de vulnerabilidade e ampliam oportunidades por meio da capacitação profissional.
Entre as participantes está Rafaella Cristina Nogueira Rodrigues, de 37 anos, responsável pelo Tá na Hora Açaí e Guaraná da Rafa. Ela integrou o projeto Empreendendo o Futuro, apoiado pela Suzano, e concluiu sua formação no programa Formando e Cozinhando, ação do Governo do Maranhão coordenada pela SEDES. Rafaella relembra que o negócio nasceu durante uma crise financeira familiar. “Comecei em um momento de dificuldade financeira, no momento em que meu esposo ficou desempregado. Foi aí que minha mãe deu a ideia de fazermos algo”, conta. A empreendedora destaca que a relação com a cozinha vem da infância e hoje mantém um delivery de açaí, guaraná e panquecas, com planos de ampliar o negócio. “Participar do projeto foi maravilhoso e sensacional. Foi uma bagagem de aprendizado em minha vida em todos os sentidos”, afirma.
Outra história que simboliza a força do empreendedorismo feminino maranhense é a de Edilene Mendes Andrade, de 50 anos, dona do restaurante Delícias do Mana. Filha de quebradeira de coco babaçu, ela encontrou na culinária o caminho para sustentar a família após se mudar para São Luís. “Quando tive minha família, precisei trabalhar com algo e resolvi investir em algo que eu sempre gostei, a cozinha”, explica. Edilene começou vendendo bolos e cafés na porta de hospitais até montar um ponto comercial. Ao participar das formações oferecidas pela Aliança Empreendedora, ela reforçou sua confiança e ampliou conhecimentos sobre gestão e cardápios. “Eu gostei muito, pois tive a oportunidade de desenvolver o que eu já sabia e aprender técnicas e receitas novas que levarei comigo”, comenta.
As iniciativas têm como propósito romper ciclos de pobreza e ampliar a autonomia financeira das participantes, reconhecendo a gastronomia como ferramenta de transformação social, valorização cultural e geração de oportunidades. O projeto une teoria e prática com aulas ministradas por professores de gastronomia e chefs convidados, ampliando repertórios e fortalecendo negócios locais.
Para André Becher, gerente de Sustentabilidade da Suzano, o apoio às ações está alinhado aos compromissos sociais da empresa. “Como parte das metas de longo prazo da empresa, pretendemos, até 2030, contribuir para que 200 mil pessoas residentes nas regiões onde a Suzano está presente saiam da linha da pobreza. Para que isso aconteça, é essencial apoiar iniciativas voltadas à geração de renda e à educação”, afirma.
A força feminina também aparece na trajetória de Polyana Rafaela Cutrim da Silva, criadora do Bar Girls e representante da nova geração de empreendedoras da coquetelaria no estado. O trabalho começou durante a pandemia e ganhou identidade própria ao valorizar frutas e insumos locais. “Um dos maiores desafios foi entrar em um segmento majoritariamente masculino”, relata. Para ela, a coquetelaria também é uma forma de celebrar a cultura maranhense. “Além de criar receitas incríveis, ela movimenta a economia criativa, valoriza produtores locais e reforça a cultura de festejar com autenticidade”, destaca.
Reunindo histórias de coragem, saberes tradicionais e inovação, os projetos reforçam o impacto do empreendedorismo como elo entre identidade, renda e desenvolvimento comunitário, impulsionando uma rede feminina cada vez mais forte e protagonista no Maranhão.