O Espírito Santo marcará presença na 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), prevista para os meses de março e abril de 2026, em São Paulo, com o projeto Casa Iririu, assinado pelo Estúdio Manguita. A proposta foi escolhida por meio de um concurso nacional, com votação de arquitetos e arquitetas com registro ativo no CAU/ES, e integrará o Pavilhão Brasil, espaço dedicado a projetos que expressam a diversidade cultural e territorial dos estados brasileiros.
Recém-criado no Espírito Santo, o Estúdio Manguita é formado pelas arquitetas Lívia Endalécio e Carole Guio, com a arquiteta parceira Rafaela Eller. A conquista do concurso representa um marco para o escritório, que nasce a partir de uma prática colaborativa e sensível. “Da memória comum e do imaginário coletivo de um pé de manga no quintal surgiu a nossa parceria enquanto arquitetas”, afirma o manifesto do estúdio, que defende uma arquitetura baseada em escuta, afeto, técnica e compromisso social.

A primeira edição da BAB tem como eixo curatorial o tema morar e propõe o desenvolvimento de um apartamento de aproximadamente 100 metros quadrados. A partir desse conceito, o projeto capixaba busca representar um estado plural, conectando montanha e litoral, campo e cidade, tradição e indústria. O Apê Iririu propõe um percurso que traduz o Espírito Santo “de norte a sul”, por meio da escolha consciente de materiais, referências culturais e saberes locais.
Entre os elementos presentes na proposta estão as rochas ornamentais do sul do estado, o aço e o vidro característicos da região metropolitana, a cerâmica difundida em diferentes territórios, além de materiais identitários e artesanais, como o cimento queimado avermelhado típico da zona rural e das periferias urbanas, a madeira do mobiliário colonial, as cestarias quilombolas e a arte indígena. O projeto também prioriza fornecedores capixabas, ampliando a visibilidade da produção local em âmbito nacional.
Para representar simbolicamente o habitar desse espaço, o projeto adota como persona o cantor e compositor capixaba André Prando, artista reconhecido por valorizar o Espírito Santo, suas paisagens e sua cultura em suas composições.
“Acreditamos em uma arquitetura possível, feita com cabeça e coração. Uma arquitetura que une técnica, praticidade, conforto ambiental, acessibilidade e economia, sem abrir mão da estética e da identidade cultural”, afirmam Carole Guio, Lívia Endalécio e Rafaela Eller, integrantes do Estúdio Manguita.
Criada em São Paulo e pensada para todo o país, a Bienal de Arquitetura Brasileira tem como proposta valorizar a arquitetura nacional e ampliar o acesso ao repertório arquitetônico, aproximando a produção arquitetônica da vida cotidiana. A programação contempla o Pavilhão Brasil, com projetos representativos dos estados e de seus biomas, e o Pátio Metrópole, voltado à experimentação, convivência e cultura urbana.
Para viabilizar a execução da Casa Iririu na Bienal, o Estúdio Manguita busca parcerias com fornecedores e produtores capixabas, fortalecendo a cadeia criativa local e ampliando a presença da arquitetura produzida no Espírito Santo no cenário nacional.
“Esperamos que, com o nosso projeto, as pessoas possam conhecer mais do nosso estado, da nossa pluralidade cultural, e levem consigo o sentimento de que ‘a arquitetura não é para ser vista, é para ser vivida’, como dizia Paulo Mendes da Rocha”, conclui a equipe.