Até 21 de dezembro, diferentes pontos da Grande Vitória passam a receber intervenções artísticas em formato de flash mob, conduzidas por um elenco formado por pessoas negras, LGBTQIAPN+ e com deficiência. A ação integra o espetáculo “Por mais que você não veja, haverá sinais”, criado pela YuP! Produções em parceria com a CASU (Casa Urbana), e tem como proposta evidenciar, por meio da dança, corpos historicamente marginalizados nos espaços públicos.
Realizado via Edital nº 10/2023 – Linha 2 – Projetos de Dança, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES), com recursos do Funcultura, o projeto investe em uma construção estética que parte das danças urbanas, com narrativa centrada na resistência e na potência desses corpos. As apresentações ocuparão ambientes como ruas, praças, universidades e escolas, estabelecendo diálogos entre arte, cidadania e pertencimento.
A programação terá início com ensaios abertos no Restaurante Universitário da Ufes e no Parque Moscoso no dia 11. No dia 13, o grupo segue para a Praça das Artes, em Feu Rosa, em parceria com o Origrafis, um dos maiores eventos de intervenção urbana ligados ao hip hop na América Latina. As atividades continuam no dia 14, na Praia de Camburi, nas proximidades do Píer de Iemanjá, e chegam ao Parque da Prainha, em Vila Velha, durante o evento Vila Natalina.
As apresentações no formato de flash mob acontecerão entre 18 e 21 de dezembro, nos mesmos espaços dos ensaios, sempre com ações rápidas e de forte impacto visual e simbólico. De acordo com a diretora coreográfica, Yuriê Perazzini, o espetáculo utiliza o método “Dance Fusion: Como descolonizar um corpo? Método Moquear”, que combina danças afrodiaspóricas, manifestações culturais afro-capixabas e elementos do street dance. “Esses corpos emergem na cidade trazendo suas histórias, afetos e formas de existir, ocupando o presente com afirmação e sensibilidade”, destaca.
Yuriê, que trabalha com flash mob desde 2010 e é uma das precursoras dessa linguagem no Espírito Santo, inclui pela primeira vez um grupo de pessoas com deficiência no elenco. A seleção foi conduzida pela professora Bianka Gomes, que integra a equipe do projeto. Além do grupo PCD, bailarinos e bailarinas negras de periferias da Grande Vitória foram escolhidos por meio de chamamento público.
A trilha sonora, assinada por Gessé Paixão com participação de Fepaschoal, mescla agogô, berimbau, sintetizadores e referências afrodiaspóricas. O compositor explica que a criação musical dialoga diretamente com a força estética do espetáculo. “Construímos uma identidade sonora que conversa com as raízes afro-indígenas e com a energia dos corpos que irão ocupar a cidade”, afirma.
Os ensaios vêm sendo realizados desde outubro na Escola Técnica de Teatro, Dança e Música Fafi, com 22 participantes de 18 a 60 anos. Para Yuriê, o projeto tem impacto além da cena artística. “É um processo que fortalece autoestima, promove consciência corporal, estimula o pertencimento e traz a cidade como espaço legítimo de expressão e protagonismo”, completa.
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