Pesquisa aponta aumento no volume de doações e maior rigor na escolha das causas no Brasil
O cenário da doação no Brasil mudou e ganhou novos contornos em 2024. A Pesquisa Doação Brasil, realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) em parceria com a Ipsos, mostra que os brasileiros estão doando mais, de forma mais criteriosa e com maior exigência de transparência das instituições beneficiadas.
De acordo com o levantamento, 78% da população com mais de 18 anos e renda familiar acima de um salário mínimo realizou algum tipo de doação no último ano, seja em dinheiro, bens ou tempo como voluntário. O volume total de doações chegou a R$ 24,3 bilhões, um salto expressivo em relação aos R$ 14,8 bilhões registrados em 2022. A mediana das doações individuais anuais também aumentou, passando de R$ 300 para R$ 480.
“O estudo traz dados fundamentais para compreendermos avanços e desafios da cultura de doação no Brasil. Reforça ainda a importância da confiança nas ONGs e da promoção constante dessa prática no país”, destaca Paula Fabiani, CEO do IDIS.
O perfil do doador em 2024 mostra equilíbrio entre homens e mulheres e maior incidência entre adultos de 30 a 49 anos, faixa economicamente ativa e estável. Pessoas com ensino superior e renda familiar mais alta também lideram o cenário, mais da metade dos brasileiros com curso superior (57%) declarou doar regularmente.
Apesar do aumento no volume de doações, o hábito de fidelização às mesmas instituições caiu: apenas 49% afirmaram manter a regularidade, contra 69% em 2015. Além disso, 49% já deixaram de doar após notícias negativas sobre organizações, reforçando a transparência como fator decisivo.
Emergências mobilizam mais doadores
Os eventos climáticos extremos que marcaram o Brasil em 2024, como as enchentes no Rio Grande do Sul, a seca na Amazônia e os incêndios no Pantanal, também impactaram diretamente o comportamento de doação. Metade dos brasileiros contribuiu para situações emergenciais, com valores superiores aos observados durante a pandemia.
Um dado revelador é que 60% das doações em dinheiro foram destinadas a estados diferentes de onde vive o doador, demonstrando solidariedade nacional e engajamento em causas além do território próximo.
“As organizações mais próximas das comunidades afetadas são também as mais capacitadas a oferecer soluções, mas precisam de recursos antes, durante e depois dos desastres”, afirma Patricia McIlreavy, CEO do Center for Disaster Philanthropy (CDP), que contribuiu com a pesquisa. Para ela, há um grande potencial de transformar o doador emergencial em apoiador contínuo de ações estruturantes, voltadas ao enfrentamento das vulnerabilidades e à recuperação de longo prazo.