Em um cenário em que o domínio da língua inglesa ainda é restrito a uma pequena parcela da população brasileira, iniciativas voltadas à democratização do ensino do idioma têm criado pontes entre estudantes de diferentes contextos sociais. Uma dessas experiências é desenvolvida pela organização sem fins lucrativos Cidadão Pró-Mundo (CPM), que há quase três décadas oferece cursos gratuitos de inglês para jovens e adultos de escolas públicas e estudantes bolsistas.
A organização vem fortalecendo parcerias com escolas privadas, bilíngues e internacionais para incentivar a participação de estudantes voluntários no ensino da língua. A proposta permite que jovens a partir de 16 anos atuem como professores voluntários, contribuindo para ampliar o acesso ao inglês e, ao mesmo tempo, vivenciando experiências ligadas à responsabilidade social, desenvolvimento interpessoal e pertencimento.
Além de beneficiar alunos em situação de vulnerabilidade social, a iniciativa também cria oportunidades de aprendizado para os próprios voluntários, que desenvolvem habilidades como comunicação, escuta ativa, liderança e flexibilidade emocional. A experiência ainda contribui para a construção de currículos acadêmicos e profissionais mais conectados a práticas de impacto social.
O tema foi debatido durante o SPOC Academy – Caminhos para uma Educação Internacional Humana e Formativa, realizado no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. O encontro reuniu educadores, gestores e especialistas para discutir modelos de ensino mais inclusivos, saúde emocional e estratégias pedagógicas voltadas à educação bilíngue e internacional.
Representando a CPM, a gestora pedagógica Rhaíssa Ramon destacou o papel do voluntariado estudantil na formação dos jovens. “A adolescência é uma fase de desafio emocional e de busca por pertencimento. Ensinar inglês pode ser um caminho para mudar essa perspectiva de deslocamento e colocar esses estudantes no centro. Ensinar ajuda a dar significado às vivências educacionais e aprimora a própria habilidade do estudante na língua sendo ensinada”, comentou.
Segundo ela, as parcerias também fortalecem a atuação da organização ao ampliar o acesso a espaços estruturados e aproximar estudantes voluntários da mesma faixa etária dos alunos atendidos, favorecendo maior identificação e engajamento nas aulas.
Com experiência em ambientes bilíngues, Rhaíssa também reforçou a importância de metodologias mais inclusivas e do papel das organizações sociais na ampliação do acesso ao ensino de idiomas no país.
Além dos debates sobre educação e saúde mental, o evento promoveu painéis sobre avaliação formativa, liderança educacional, experiências globais e desenvolvimento socioemocional, buscando oferecer ferramentas práticas para tornar os processos de ensino mais significativos.
A CPM abre inscrições para novos voluntários duas vezes por ano, nos meses de maio e outubro. Para atuar como professor voluntário de inglês, é necessário ter domínio do idioma, disponibilidade para ministrar aulas ao longo do semestre e idade mínima de 16 anos. Não é exigida experiência anterior em docência.